Bophuthatswana
No Abrupto leio um artigo sobre o Bophuthatswana enquanto oiço ao longe, por causa da televisão ligada, que o governo de Portugal aceitou o desafio de comer um ensopado de borrego em Évora, objectivo que justificou inclusivamente uma longa caminhada a pé. Coleccionar selos é na verdade um agradável refúgio para as pequenas irritações do dia-a-dia e JPP tem-se revelado no seu blog um filatelista conhecedor de variedades de cor e denteados. O seu artigo sobre o Bophuthatswana recordou-me uma carta que recebi o ano passado de Edgemead, África do Sul, franquiada com dois selos sul-africanos e três selos do Bophuthatswana. Estranhei que, exactamente dez anos depois do fim da existência formal do bantustão, estes selos ainda andassem a franquiar cartas. Por vezes os filatelistas têm o hábito de enfeitar os seus envios e poderia ter sido o caso: que os dois selos da África do Sul tivessem pago o custo total do envio desta carta para Portugal e os três selos do Bophuthatswana estivessem ali só para enfeitar. Mas não, o meu correspondente garantiu-me que os selos do Bophuthatswana ainda são válidos para franquiar correspondência, e isto a partir de qualquer ponto da África do Sul, e nesta carta de 2003 cumpriram o seu serviço: pagar o porte de uma carta enviada para Portugal. Foi para a caixinha das curiosidades histórico-postais.

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